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Seminário reunirá produtores de cachaça artesanal de Santa Catarina

Evento visa organizar e fortalecer o setor no Estado

Seminário reunirá produtores de cachaça artesanal de Santa Catarina

Desde 2012, através de um acordo bilateral entre Estados Unidos e Brasil, a cachaça foi reconhecida como um produto genuinamente brasileiro. Ou seja, para levar o nome de cachaça, o produto deve passar por todo o processo em terras brasileiras, portanto a cana deve ser plantada, colhida e todo processo de destilação realizado aqui. Para tratar desse e de outros assuntos relacionados ao setor é que ocorre na próxima quinta-feira (18), na Sede Campestre SR. Mampituba, o seminário “Cachaça: Um Símbolo Nacional de Oportunidades”.

De acordo com Leandro Melo, presidente do Grupo Lalua, empresa responsável pelo seminário, o evento é o marco inicial de uma série de atividades em prol do setor de produção de cachaça artesanal de Santa Catarina. Ele conta que o seminário reunirá produtores, investidores, agricultores e toda pessoa interessada em conhecer o setor. “O seminário que estamos preparando vai contar com a presença de aproximadamente 80 produtores de Santa Catarina. Estamos o mês todo percorrendo o Estado. Entendemos que para fortalecer o setor, devemos ouvir as necessidades, mas principalmente, mostrar através de nossos palestrantes, o potencial do nosso produto, e falar das Boas Práticas de Fabricação (BPF)”, explica Melo.

O Grupo Lalua está movimentando o setor com o intuito de realizar o Festival da Cachaça – Cores e Sabores do Brasil. “A ideia partiu da vontade de realizarmos um evento nacional em Criciúma. O festival será realizado em novembro deste ano. Estamos trazendo para o seminário o presidente e idealizador da Expocachaça, que é o maior e mais importante evento do setor no mundo”, informa.

Com 20 edições na cidade de Belo Horizonte e seis em São Paulo, o idealizador do maior evento do setor no mundo, José Lúcio Mendes Ferreira, vai falar do tema abordado em seu livro “Cachaça: Um Símbolo Nacional de Oportunidades”. “Há décadas realizamos uma série de atividades que fizeram com que a cachaça de Minas Gerais ganhasse visibilidade no Brasil e no mundo. Percebemos um grande potencial na cachaça catarinense. Porém, o setor não possui uma entidade que as represente. Minha palestra irá mostrar aos produtores catarinenses o melhor caminho para a cachaça catarinense disputar lugar nas mesas do Brasil e do mundo, ao lado do vinho, whisky, vodka, champanhe e outras bebidas”, conta Ferreira.

O seminário vai contar ainda com a presença do escritor e pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Dr. Jaques Crispim. Ele possui um acervo de livros e pesquisas voltadas para as boas práticas de fabricação e qualidade. Ele foi o precursor da Associação Catarinense dos Produtores Artesanais de Aguardente de Qualidade (ACAPAAQ). “Durante anos me dediquei em capacitar os produtores. Fundamos a associação para representar o setor, mas ela ficou na mão de produtores, pessoas que não tinham conhecimento e força para buscar por melhorias para o setor. Precisamos de pessoas jovens, dedicadas em defender o produto catarinense”, enfatiza Crispim.

Nova diretoria será formada em assembleia geral

Paralelo ao seminário ocorre a Assembleia Geral Extraordinária para formar a nova diretoria da ACAPAAQ. Leandro lembra que quando decidiu se dedicar na organização do festival e do fortalecimento do setor catarinense, foi visitar os estados onde a cachaça brasileira tem grande representatividade.

“Atualmente os estados que tem maior representatividade são Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Sul. Ao conhecermos de perto esses estados, percebemos que nestes o setor é mais desenvolvido, pois existe uma associação forte e dedicada para promover o desenvolvimento e fortalecimento do setor”, destaca Leandro Melo.

“Nossa intenção é formar uma boa equipe, que vai lutar por melhorias como diminuir as altas tributações. Atualmente Santa Catarina possui um ICMS de 25%, enquanto Minas Gerais de apenas 3%”, informa. A associação tem como objetivo também combater a informalidade e a certificação dos produtos catarinenses.

De acordo com o Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), estima-se que a informalidade no setor seja superior a 85%. Isto ocorre devido a alta tributação. Segundo estudos do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), os impostos incidentes sobre a cachaça são de aproximadamente 81,87% do seu preço de venda.

“Para nós produtores de qualidade e que buscamos trabalhar de acordo com as leis, está cada dia mais difícil. São muitos os impostos. Isto faz com que nosso lucro seja pequeno. Nós ainda conseguimos ter valor agregado em nosso produto, mas a grande maioria não trabalha de forma legalizada”, desabafa Ivo Scherer, proprietário da Adega Scherer.

A assembleia ocorre dia 18 de novembro, às 14 horas, na Sede Campestre Mampituba.

 

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Autor

Tiago Maciel

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